quarta-feira, 25 de junho de 2014

Washington DC - USA

Neste mês de junho fomos comemorar nossa 'velhice' em Washington DC, capital norte-americana, poucos dias antes de um aniversário quase tão importante quanto o nosso, rsrsrs, o da Independência dos Estados Unidos da América, celebrada em 4 de julho.

Washington Monument

Encontramos uma cidade muito bonita, interessante e frequentada por pessoas de várias nacionalidades. A grande maioria delas disputava espaço na principal atração da cidade, o National Mall. Calma, não é um shopping, é um imenso parque que vai do Capitol (Congresso Americano) ao Monumento de Washington (o obelisco).

National Mall. Duas milhas ligam o Capitol (ao fundo na foto) ao obelisco



















Memorial aos Estados americanos que participaram da II Guerra Mundial


Já explico o motivo do Mall ser a grande atração de Washington. É nele que encontram-se o Smithsonian Institution, o maior museu e maior centro de pesquisa do mundo, com 19 museus e galerias e um zoológico, a maioria deles com entrada gratuita. Visitamos o Natural History Museum e o Air and Space Museum e, assim como todos os museus americanos que já visitei, estes também têm um olhar voltado para a educação dos pequenos, o que torna alguns setores didáticos demais. Mas são muito bem montados, organizados e guardam muitas riquezas históricas. Valem a visita.

Natural History Museum
                                                           
Parte Interna do Natural History Museum

Air Space Museum
É no Mall também que encontram-se os principais monumentos e memoriais. O mais visitado e mais amado é o monumento a Lincoln, que além da famosa estátua tem um pequeno museu sobre o ex-presidente. Tudo de graça também.

Lincoln Monument
                                                             
Vale registrar que o Mall é também um excelente atrativo para os esportistas. No gramado confundem-se bolas e frisbees jogados por grupos muitas vezes uniformiados. Pessoas correndo de um lado para o outro é muito comum. Correr no Mall certamente está entre as atrações turísticas da cidade.  
É claro que não posso me esquecer de citar  a Casa Branca. Muito bem protegida por seguranças, está sempre repleta de pessoas fotografando sua fachada. Não é possível chegar à parte de trás, onde fica o Salão Oval.  Para realizar um tour pela Casa Branca, é necessário reservar tickets com antecedência (o mesmo vale para o Capitol). 

White House
                                                                    
Ainda peciso citar três pontos antes que você desista deste post. 1. Metro - Wasington possui 6 linhas de metro e a cobrança é feita por trecho. Você insere o cartão na estação de embarque e quando o registra no desembarque ele calcula o trecho percorrido e faz a dedução no cartão. É possível pegar a linha azul na estação do aeroporto Reagan National e chegar ao centro da cidade. Foi o que fizemos. Mas não ficamos escravos do metro não, andamos e andamos bastante. 2. Comidas. Washington tem muitos restaurantes para todos os bolsos e gostos. Amei todos que fui. Encontrei na cidade algo difícil de encontrar em Michigan: tábua de queijos com vinho e porção de lula com cerveja. Hum. Comemos também paella em um restaurante espanhol. Hum. A Dupont Circle tem várias opções legais de bares. Vale ressaltar que perto dos Museus não tem restaurante, por isso as ruas ficam repletas de carros/barraquinhas que vendem hot dog, kebab.... Aí, vai da coragem de cada um. Não posso deixar de falar que Washington ama a Starbucks. Tem praticamente uma a cada esquina. Se você também ama Starbucks vai amar Washington.3. Compras. Sim, tem loja para quem não consegue vir para os Estados Unidos sem fazer umas comprinhas. As ruas 7 (Chinatown) e a rua F têm lojas das marcas mais conhecidas. 
Bom, deu pra perceber que Washgington é mesmo muito interessante e que certamente merece uma nova visita!




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Saint Louis - USA



No mês de abril surgiu a oportunidade de irmos para Saint Louis, no Estado do Missouri. Oba! Passear sempre é bom... e poder conhecer outra cidade americana logo me empolgou. Após fazer algumas pesquisas para escolher a melhor localização para nos hospedarmos, percebi que as duas melhores opções eram perto do arco e perto do parque. Como eu estaria sozinha e "a pé 2" na segunda e na terça-feira, o melhor seria ficar perto do Forest Park, onde estão o zoológico, o centro de ciência e os museus. Decisão acertadíssima. Entrando no parque pela rua Clayton, com um certo esforço físico, dá pra chegar a todos eles à pé.
Bom, mas depois eu falo do Forest Park, porque nosso primeiro passeio foi na principal atração turística da cidade e seu cartão postal, o Gateway Arch, um arco de 192 metros de altura, todo revestido em aço, próximo às margens do Mississipi. O monumento, o mais alto feito pelo homem em solo norte-americano, simboliza a expansão para o Oeste e foi construido entre 1963 e 1965. Há a projeção de um filme sobre a sua construção, que vale a pena ser visto.

















O mais interessante é que o arco oferece acesso ao público. Isso mesmo, é possível subir os 192 metros por uma espécie de trem que passa pela parte interna do monumento. Claustrofóbicos, contentem-se com a visão de baixo para cima, porque as micro-cápsulas, com espaço para 5 pessoas, levam a uma viagem de 4 minutos um tanto desconfortável. Lá em cima a vista é muito bonita, mas só pode ser apreciada por pequenas janelinhas. Vale ressaltar que o espaço disponível para cada um lá em cima não é muito diferente daquele reservado nas cápsulas. 
Na segunda-feira estava preparada para conhecer o Forest Park. Tudo planejado, eu ía visitar a Jewel Box e o Zoológico naquele dia e, no dia seguinte, conheceria o Centro de Ciência e o Museu de Arte. Iniciei o passeio pela Jewel Box, uma casa de vidro que abriga árvores, plantas e flores em seu interior. A casa é bonita, mas o que me encantou mesmo foi o jardim externo, cheio de tulipas. 














Ao sair de lá, começou uma garoa forte e precisei mudar meus planos. Fui para o Centro de Ciência, onde assisti a uma interessante sessão de cinema naquelas salas em que o filme passa no teto em forma de abóbada e a uma sempre empolgante sessão no Planetário. A chuva passou e ainda encaixei o zoo na parte da tarde. 
O Museu de Arte ficou para terça-feira, onde pude conferir o acervo local e uma exposição especial com telas dos impressionistas franceses. Ou seja, ficar perto do Forest Park foi realmente uma excelente ideia.































Ah, para quem não quiser sair andando, existem opções de metrô e ônibus que facilitam as idas e vindas. A linha de metrô é pequena, mas leva para o arco e outros bairros da cidade. Saint Louis também tem cervejarias, outros museus, parques, estádios e restaurantes legais, principalmente de massas, para aqueles (como eu) que fazem das paradas para almoço e jantar uma atração à parte.
Enfim, até que para uma viagem de última hora apenas para acompanhar o maridão, esta ida a Saint Louis rendeu bons passeios.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Bonito - Mato Grosso do Sul


Alguns lugares recebem o nome que merecem. E Bonito, no Mato Grosso do Sul, é um deles. Neste mês de setembro eu e meu maridão visitamos este cantinho pela terceira vez. Não somos muito adeptos da ideia de ir sempre para o mesmo lugar, bem porque gostamos de desbravar novos destinos e conhecer coisas novas, mas tem alguns lugares que merecem uma segunda, uma terceira ou até mais visitas.


Para chegar a Bonito é possível descer no aeródromo da cidade, mas as passagens são mais caras e são poucas as companhias que levam para lá. Descendo no aeroporto de Campo Grande ainda é preciso dirigir mais 3 horas e meia até destino final. Paciência, vai valer a pena. O bom é que o carro alugado vai ajudar no deslocamento do hotel até os passeios, que nem sempre estão perto do centro de Bonito. Apesar de ser a cidade mais conhecida da região, muitas atrações estão em cidades vizinhas.

Os três passeios que mais gosto de fazer (e que acabo repetindo todas as vezes que vou para lá) ficam em outras cidades. Boca da Onça, que une caminhada e cachoeiras, fica em Bodoquena, a aproximadamente 60km do centro de Bonito. Localizados na cidade de Jardim, também a uns 54km (porém no outro sentido), estão outros dois passeios imperdíveis, a Flutuação no Rio da Prata, onde nadamos ao lado peixes e nos sentindo dentro de um imenso aquário, e o Buraco das Araras, uma dolina com 124 metros de profundidade e 160 metros de diâmetro, onde moram inúmeras araras-vermelhas. O espetáculo das aves nesta cratera de arenito é algo indescritível.






Quando a viagem permite, preferimos não depender de agências e escolhemos na hora nossos passeios com mais independência. Porém, em Bonito todas as atrações precisam ser acompanhadas por guias locais e acaba sendo mais simples comprar os passeios em uma das inúmeras agências da cidade. Não sei se tem mais opção de passeio pra comprar em agência ou mais opção de agência pra vender passeio, mas o que importa é ter opção.

Bom, agora quer saber se Bonito foi feita pra você? Vamos lá: Você gosta de entrar naquela água gelada (congelante) de cachoeira porque sabe que ela vai recarregar suas energias? Assim que coloca o pé pra fora do chalé você já está procurando animaizinhos para ver e fotografar Você sabe que aquela trilha no meio do mato vai ser cansativa, mas encara porque tem certeza que vai valer a pena? Você não se importa se não tem muita opção de restaurante na cidade, porque o importante é terminar o dia com uma cervejinha ou uma caipirinha? Se as respostas foram na maioria sim, pode fazer as malas. Bonito te espera!!!












terça-feira, 4 de junho de 2013

Monte Alegre do Sul - SP - Brasil

Eu sempre acreditei que o sucesso de uma viagem depende do nosso estado de espírito quando chegamos em nosso destino. Explico: não é incomum alguém nos indicar uma viagem que foi muito especial para ela e, quando chegamos no lugar, nada nos parece tão especial assim. O contrário também acontece, quando nos apaixonamos por um cantinho que nem todos acharam tão interessante. Em minha opinião, o que acontece é que podemos estar no Tahiti, num luxuoso bangalô sobre as águas cor de esmeralda, mas sentindo um vazio... ao passo que muitas vezes nosso astral está tão alto que um pousadinha em Araçoiaba da Serra pode parecer o paraiso.
Monte Alegre do Sul para mim é mais ou menos isso, um lugarzinho simples, mas que me cativou desde a primeira vez em que lá estivemos. Faz 12 anos que fomos lá pela primeira vez. Eu e meu marido para uma das nossas primeiras viagens "enfim sós"... e a bordo de nossa primeira motocicleta. Procurávamos um lugar não muito longe de casa e tranquilo. E achamos Monte Alegre do Sul. E estava ai a magia. O fato de nos sentirmos aventureiros por viajarmos sozinhos de moto com apenas duas pequenas mochilas fez aquela cidadezinha paulista se tornar um encantador destino. Nos lembramos até hoje com saudades daqueles dias que passamos no chalé número 1 de uma pousadinha de fazenda. Uma das atrações que nos trazem boas lembranças foi uma tarde jogando baralho na sacada comendo salgadinho Elma Chips. Interessantíssimo, né? Bom, voltamos para lá mais quatro vezes. A última foi neste feriado de Corpus Christi. Precisávamos relaxar. Nosso destino, então, estava traçado. A primeira pergunta que fiz ao telefonar para a pousada foi: "o chalé 1 está vago?" E estava. Eba!!!


Localizada na Serra da Mantiqueira, entre vales e montanhas, a cidade é pequena, mas bastante charmosa. Assim como suas irmãs mais famosas, Serra Negra e Águas de Lindóia, faz parte do Circuito das Águas Paulista, com diversas fontes de água espalhadas pela cidade e um balneário. Também tem cachoeiras, sorveteria, um café aconchegante (Café Bar Grão), uma ingrejinha, pracinha com coreto, uma locomotiva de 1910 restaurada e alguns restaurantes, inclusive um bem legal que serve pratos deliciosos, o Bar da Fonte, onde há também um ateliê e um alambique. Ah, por falar em alambique, a região é conhecida por produzir cachaça e vinho. O vinho deixa um pouco a desejar, mas a cachaça eu recomendo. Mas o que torna Monte Alegre do Sul mais encantadora é o fato de estar rodeada por morros... num deles tem até um Cristo de braços abertos.

No mesmo feriado estava acontecendo em Águas de Lindóia o Encontro Paulista de Autos Antigos, já em sua 18a edição. Lógico que foi um motivo a mais para tornar o passeio ainda mais divertido. Bom, este fato pode gerar controvérsias. Por conta do evento, que já se tornou grande atração em nosso país (apareceu até no Jornal Nacional), a cidade de Águas de Lindóia e Serra Negra ficaram lotadas. Esta última só contou com minha breve presença porque eu 'precisava' comprar fios de ovos. E em meio às lojinhas de roupa que invadiram a cidade (está mais parecendo Monte Sião) ainda existem poucas mercearias com doces deliciosos. Chegamos, paramos, compramos e saimos. O que não se faz por um vidro de fios de ovos.
Enfim, Monte Alegre do Sul é um lugar especial para mim. E quem sabe você também não se apaixona por esta calma e pacata cidadezinha e ela não se torna especial para você também.









terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Szolnok - Hungria

Neste post vamos sair dos EUA e ir para um cantinho localizado na Europa Central, em uma pequena cidade húngara chamada Szolnok. O nome é estranho, mas mais estranho foi descobrir com apenas uma semana de antecedência que nós iríamos morar nesta cidade por quatro meses. Sim, era março de 2012 e nós havíamos chegado aos Estados Unidos fazia apenas um mês. Quando deixamos o Brasil nós sabíamos que passaríamos algum tempo na Hungria, graças ao projeto da empresa, mas não sabíamos que seria tão cedo e muito menos que saberíamos disso apenas uma semana antes do embarque.
O susto foi grande porque mal tínhamos nos acostumado com a nova casa, nossas coisas estavam em algum lugar no meio do oceano e nós havíamos trazido nossas duas cachorras conosco. Quando recebi a notícia compreendi pela primeira vez  o real significado da expressão "jogar a vida para o alto". Senti, sem exagero, como se minha vida estivesse suspensa no ar, em várias partes, num enorme quebra-cabeça que nunca mais teria suas peças reunidas novamente.
Mas quem está na chuva é para se molhar, não é? Uma semana depois, estávamos voando rumo a Szolnoknosso novo lar. Bem, não sei se posso chamar de lar um quarto de hotel com quarto, sala, banheiro e um microondas. Ou seja, o  máximo que conseguíamos cozinhar para evitar os cardápios cheios de fritura eram as sopas instantâneas e os sanduiches. Bom, mas justiça seja feita, os vinhos da região, os famosos Tokaji, e os deliciosos queijos europeus nos faziam achar aquele quarto de hotel até bem simpático.
A cidade de Szolnok, apesar de estar na Europa, não tem o glamour de Paris nem os monumento milenares de Roma, mas tem seu encanto. Salpicam aqui e ali igrejas, parques, museus e termas. O rio Tisza, que corta a cidade, carrega em suas água canoas, barcos e caiaques e empresta suas margens aos dominicais piqueniques.
O húngaro (magyar) é uma língua difícil e confusa, repleta de ditongos, consoantes e acentos (para se ter uma ideia, além da já estranha trema, eles usam uma outra trema mais cumpridinha... coisa que eu nem sabia que existia). Nas lojas e mercados ninguém fala inglês. Ser compreendido por algo mais do que mímicas era luxo restrito apenas aos hotéis e a alguns restaurantes. Mas o que faz de Szolnok realmente uma cidade especial é a sua localização. Encravada no meio da Europa ela nos possibilitou visitas a Budapeste (localizada a apenas 100 km), Eslováquia e Praga. Bom, mas estes são assuntos para outros  posts.
Em tempo, no final das contas após um mês de "hotel não tão doce lar" o projeto foi interrompido e nós retornamos aos Estados Unidos. Prontos para recomeçar mais uma vez o nosso recomeço.









segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Traverse City - MI

Nem todas as viagens revelam os encantos que esperamos ver revelados, mas revelam outros. Na sexta-feira passada partimos, debaixo de neve mesmo, para Traverse City, uma simpática cidade bem na parte de cima de Michigan (fazendo uma alusão à palma da mão direita de novo... eles adoram fazer isso... está bem entre o dedo anelar e o mindinho). Na hora de decidirmos pelo carro que iria nos levar até nosso destino, uma vinícola na região de Old Mission Peninsula, uma dúvida: vamos com o esportivo que tem espaço para a mala e é mais confortável ou com a caminhonete velha que é 4x4 mas não está com o freio muito confiável? A opção foi pela primeira. E lá fomos nós. Depois de alguns momentos um pouco tensos pelo caminho, enfim chegamos. O hotel é bem legal e fica dentro da vinícola. Por todos os lados podíamos ver as videiras, todas secas e rodeadas por muita neve, mas mesmo assim o cenário era muito bonito e inesperado.





No dia seguinte, a primeira decepção. Logo após o café da manhã um problema num projeto da empresa fez com que ficássemos a manhã inteira no quarto do hotel, enfim, perdemos o primeiro tour pela vinícola que começava às 12h. Fiquei meio frustrada, mas compreendi e fiquei ouvindo minhas músicas do Chico e assistindo minha novela (sim, eu vejo, sem perder um só capítulo, a novela das 6 pela internet e adoro).
Depois fomos almoçar no centro e conhecer um pouquinho da cidade. Ao retornarmos ao hotel fizemos o tasting, uma degustação de seis vinhos produzidos por eles.Bem legal.
Mas na verdade eu estava mesmo ansiosa para fazer um passeio que eu tinha visto na internet, o tubing. Explico. Parece mais uma atividade para criança, eu acho, mas quem disse que não sou? Você se senta numa espécie de boia e desce o barranco de neve. Pareceu mais seguro e divertido do que esquiar e acabar mais no chão do que em pé. Não é o máximo? Seria, se o carro subisse a estrada íngreme e cheia de neve que levava ao passeio. Resultado, segunda frustração. Não fiz o passeio de criança. E confesso que emburrei... feito criança.
Mas logo ficou tudo bem porque, afinal de contas, estavámos passeando, jogando conversa fora, tomando vinho...E por falar em vinho, ganhamos uma garrafa por dia no quarto e compramos mais seis pra trazer.



Depois escolhemos um restaurante para jantarmos, o Old Mission Tavern, onde comemos um delicioso peixe com crosta de amêndoas... hummm. Mas antes de irmos jantar vi que bem no finalzinho da península havia um parque com um farol, o Old Mission State Park. Decidimos visitá-lo antes de irmos ao restaurante.
Chegando lá, um imenso tapete branco de neve se desenrolava até o Lago Michigan. E logo ali, refletindo no lago, estava ela, a lua. Linda, enorme, majestosa. Travestida de sol, sua cor era alaranjada.


Neste momento as decepções não contavam mais. Estava ali o meu encanto. Senti como se a natureza tivesse guardado aquela surpresa para mim. Então eu corri. Corri por aquela neve fofa feito alucinada. Corri porque sabia que quando a lua desponta no firmamento bastam poucos minutos para ela ganhar altura e perder tamanho e perder a cor. A neve chegava a cobrir minhas botas e a respiração me faltava, mas ela estava ali e eu tinha que chegar ao lago enquanto ela ainda estivesse vestida de sol. Chegando lá, outra moça fotografava calmente com seu tripé. Mas sem tripé nem nada eu a fotografei diversas vezes até ela subir, subir, subir. Voltei com o coração aos pulos. E nele não cabia mais tristeza, somente deslumbramento.



Quando chequei ao hotel, ela ainda estava lá, bem no alto. E,desta vez, com o tripé em mãos, eu novamente a fotografei e a agradeci. No final de tudo o Nê disse que ele havia contratado a lua para aperecer daquele jeito naquela noite para compensar os planos desfeitos. Sorte, acaso, contrato, conspiração, não sei, o que eu sei é que a vida é cheia de surpresas e encantos. Que mesmo quando não encontramos exatamente aquilo que esperamos, haverá outros encantos. Porque a vida é assim, imprevisível.